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Mostrando postagens de agosto, 2020

Conto de Sentir

Rafael reclamava. Havia crescido em meio ao consumo inevitável de cultura pop, em que não só em novelas e filmes românticos – cujas obras não o interessavam – mas também em livros, filmes de ficção científica e músicas predominava o amor sofrido. Doloroso. Superador de barreiras. Talvez a personificação de um corredor da modalidade com obstáculos. Esse sentimento havia se formado, para ele, como dependente da dor, o que justificava a reclamação. Ele pensava consigo: “Por que o amor dói? E não só o amor. Parece que todo sentimento que tenho carrega o sofrer. Que bom seria ser insensível, dormente, capaz apena de sentir o prazer, a felicidade plena". Em outro plano, Maria sofria. Reclamava a Deus a necessidade do luto: que motivo havia para que seu filho fosse levado tão cedo? E com essas condições? Com 10 anos ele a deixara, sofrera em vida a dor do não sentir, condição rara: Síndrome de Riley-Day.  Ruan nascera bem, saudável – aparentemente – mas com essa deficiência atroz. Passar...