Com a iminência de minha morte Deitado em meu leito Deixo a modéstia de lado E falo de mim, se me dão o direito Salvei muitas vidas Nesse pequeno intervalo de tempo Que é a vida. Curei feridas. Pequenas, mas doídas no momento Puxei pessoas à beira de penhascos Sem que elas soubessem Que só faltava um passo. E vejo de longe como esquecem Escuto, não julgo, estendo a mão. As mãos. O braço. A vida. Compartilho o peso da cruz. Não foi em vão. Só fui feliz quando deixei de ser. Dor é amiga. Pois quando te desafogo E me dói a alma Te cresce a esperança. Não sei até quando, mas calma Hão de viver mais do que vivi Não me arrependo do que ouvi Toda vez que meu amor expandi Quando te vi, tua dor absorvi, cresci. Salvei muitas vidas do fim Esse que espreita, espera Escolhe a mim Porque se tiro dores, florescem amores. Enfim. João Pedro Santos