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Retrato

Dizer que é tudo verdade Pois até as mentiras Ainda que com intenções sinceras Expõem malícia; mau gosto; maldade. Tudo que se busca é expressar-se Honestamente, nem sempre Mas engana-se de propósito  Por medo de saber quem se é em realidade Fruto do que se cria é o arrependimento E o que se constrói é tua obra  Satisfeito nunca está, nem pode Erra, sabe que não é certo (dizem que a alma é o que disso sobra) Não se reconhece, de fato. Cecilia, partilhamos a falta de intimidade com o retrato Fui eu quem o pintei, em todo caso Quando errei a tinta e o pincel, de propósito, e agora reclamo do resultado Fosse perfeito, sem erros, não era espelho A fotografia que exponho é manipulada Eu que edito, publico, apago... e receio De ter a imagem que eu mesmo criei, em quem a vê, gravada.
Eu não posso prometer que vai passar Provavelmente essa dor não irá. Pior: permanecerá  Essa angústia é insuportável  E você insiste em suportar Talvez a vida seja mesmo isso Vive a dor do inevitável - viver. Momentos de alegria e satisfação  Virão  E não verão o teu sofrer Interminável  Irreparável  Inigualável  Nem a morte é pior do que continuar a ser
Fisicamente  Emocionalmente  Espiritualmente  Significativamente Instável. Uma bomba relógio  Mas se eu fosse bomba relógio  Eu teria data para explosão  Infelizmente não  O que me tira ou não me tira do sério  O que faz de mim são, apático  É viver na iminência  Da combustão 

Meu relógio não marca as horas

Meu relógio não marca as horas Mas ainda assim Quem, por acaso e de fato, nota-o Vê que está ali Meu relógio não marca as horas Os ponteiros estão parados  Mas ainda existem O tempo ainda passa. A vida ainda passa. Mas não se marca, conquanto exista Meu relógio não marca mais as horas Ele parou, mas o tempo não  Quem o vê, por sua imagem, não o ignora Mas seu propósito é em vão O meu relógio. O tempo. As horas. A imagem. E o propósito. Metáforas que nunca perceberão 

poema matemático

Há muito o que conhecer.     .•. pelo que sofrer

Renascimento

Uma conversa Uma aula Um dia Um inesperado, antes irrelevante, e desconhecido alguém  Aquilo mudou minha vida Aquilo nem sabe Mas sou outro alguém agora, por aquilo Ou fui. Por um momento. Muda tua vida o que fora pequeno  Inesperado Um ponto Um traço Um dia qualquer, de cansaço  A grande mudança que você espera Porque espera  No fim não é a mudança que tanto aguarda. Por que espera?

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar Aquela que, mesmo aguardada, é repentina, Talvez eu sinta alívio. Talvez a chame ao meu encontro: - Alô, iniludível! O meu dia foi corrido, mas já o percorri Quero a Noite visitar. (A Noite com seus sortilégios). Só lhes restará arrasado o campo À mesa, histórias E as lembranças para a mim visitar.