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Mostrando postagens de outubro, 2018

Pesos e conveniências

Às vezes eu sinto o peso De não poder ajudar todas as pessoas do mundo. E eu sei que não sou capaz Nem obrigado, nem necessário. Eu sinto o peso de às vezes não ajudar quem precisa E de ajudar quem às vezes não precisa. Mas o peso de ser quem sou, por tentar, Eu não sinto. A inconveniência de tentar ajudar ou de não ajudar não me pesam. Mas o que pesa mais que tudo é minha alma Que eu não alivio nem deixo aliviar. João Pedro Santos

Como lidar com as trevas

Não façam barulho Tem gente dormindo. Deixe que escutem o silêncio agudo Em um timbre cínico Não façam barulho Quem não tem o que dizer Já fala demais (e até em grupo) E tampam os ouvidos pra não ver Refugiemo-nos nas palavras Essas que são silenciosas E gritam, e rasgam, e estão mal gastas De modo que fico sossegado por aqui mesmo Por favor, não gritem não façam barulho. Não sacudam quem dorme na ignorância Nos isolemos na solidão do amor                                    (e com orgulho. João Pedro Santos

Concepções de vida

Como pode fazer sentido Confundir a vontade de se sentir vivo Com uma tendência ao suicídio? Talvez a possibilidade infinita de vida Seja a você resumida Na impressão que passa ao outro. E isso explica Não se assassine. Como pode ser o esforço pra agradar Maior que a vontade de se aproveitar O mundo. Tantas delícias e medos em tão pouco tempo São tantos fascínios e arrependimentos... Não limite a vida às partes ruins do caminho As possibilidades de se sentir vivo são imensas, mas não são tão exploradas quanto o desejo de ser bem lembrado, bem reconhecido, bem amado, por aqueles que não vivem. Viver excita. O desconforto que te habita não é vontade de partir. É vontade de viver. João Pedro Santos