Um segundo propício

Um sorriso dolorido
Doloroso e delirante
Como há muito não havia me ocorrido

Um descuido comovido
Em desuso, descolorido
Como meus olhos há muito não tinham ouvido

Um segundo esculpido
Demorado e retorcido
Como se há pouco aquele sofrer,
Num sorriso, pobremente escondido

tivesse dobrado o tempo, o delírio, a cor, o fim e o início

João Pedro Santos

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