Carta ao Falecimento

É um peso muito grande levar a vida, e os anos passam, uma hora já não tem porquê se destrancar ou levantar da cama. Um calafrio, um momento, passou. Volta a ansiedade, suo frio, volto a fechar os olhos, e esperar o tempo passar. Sem motivo, caí no buraco da solidão de propósito, e ele se mantém. Me corrói. Fui diagnosticado com falta de amor, alguns dizem ser pior que câncer. Espera, dizem? Não. Os que já sofreram não tem mais como dar testemunho. É um beco sem saída, um poço sem fundo, e o tempo passa. Já era praxe que ele fosse visto sozinho, evitando as pessoas e o mundo, mas ninguém, ninguém quis a responsabilidade de ajudar. Sou só mais um caído que observa. Se enganam com falsa felicidade afim de levar a vida por mais tempo, sem ter tempo pra prolongar a vida de mais ninguém. Ora, mas o egoista é quem se isola e não se ajuda. Eles disseram. Preferir mostrar amor ao defunto que ao pobre coitado. Será que a vida vale mais depois que acaba? O descaso e o descuido. Morre um ser, pra que se ame a memória.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Infinito

A generalização do indivíduo

Teimosia